O plano de governo registrado no Tribunal Regional Eleitoral (TRE) pelo candidato ao Governo do Amapá, Dr. Antônio Furlan (PSD), não faz qualquer menção ao combate às facções criminosas, tema que hoje figura entre os maiores desafios da Segurança Pública no estado.
Na área intitulada “Segurança Pública, Justiça, Cidadania e Gestão Integrada de Fronteiras”, o documento limita-se a estabelecer metas gerais, como reduzir os índices de criminalidade, ampliar o efetivo policial, aumentar a frota de viaturas e estruturar postos de gestão integrada de fronteira. O texto, porém, não apresenta projetos específicos para enfrentamento às facções criminosas, fortalecimento da inteligência policial, combate ao crime organizado ou integração operacional permanente entre as forças de segurança.
A ausência de propostas voltadas diretamente ao combate às facções chama atenção porque esse é um dos principais desafios enfrentados pelo Amapá. Nos últimos anos, o Governo do Estado tem concentrado grande parte de sua política de segurança em operações contra organizações criminosas. Recentemente, o assassinato de um policial civil, atribuído pelas autoridades a integrantes de uma facção criminosa, mobilizou uma ampla força-tarefa das polícias e reforçou o debate sobre o enfrentamento ao crime organizado.
Apesar desse cenário, o plano registrado por Furlan no TRE não cita as facções criminosas nem apresenta um programa específico para enfrentá-las, deixando sem detalhamento como pretende atuar diante de um dos temas mais sensíveis da segurança pública estadual.
Em 2024, durante a eleição municipal em Macapá, um candidato a vereador que declarou apoio político à candidatura de Furlan foi posteriormente citado em investigação da Polícia Federal no âmbito da Operação Herodes. Até o momento, não há decisão judicial que estabeleça vínculo entre Furlan e os fatos investigados.