Brasília (DF) — O que poderia parecer apenas mais uma pauta religiosa conservadora se transforma, na prática, em um abraço declarado ao bolsonarismo mais radical. A influenciadora e ativista Rayssa Furlan, conhecida por seu discurso moralista, foi vista recentemente exaltando o ex-agente americano Tim Ballard, uma figura hoje afundada em escândalos de assédio sexual, manipulação religiosa e acusações de fraude humanitária.
Ballard, que inspirou o filme Sound of Freedom, já não é mais visto como um herói — mas como um símbolo da hipocrisia moral da extrema-direita internacional. Investigações nos EUA apontam que ele usou missões contra o tráfico humano como pretexto para abusar de mulheres, tocando-as sem consentimento e justificando seus atos com supostas “estratégias operacionais” e trechos bíblicos. Ele está sendo processado, e a própria Operation Underground Railroad cortou vínculos com ele.
Mas nada disso impediu Rayssa de se aliar a ele — pelo contrário. Sua participação ao lado de Ballard, Damares Alves e Allan dos Santos, ambos expoentes da ala mais radical do bolsonarismo, confirma seu mergulho completo na agenda da extrema-direita: anticiência, conspiracionista, religiosa e punitivista.
"É uma honra estar ao lado do ex-agente da CIA, Tim Ballard, uma figura globalmente reconhecida", postou em suas redes sociais em tom de orgulho. A primeira-dama, claramente desconhece o que acontece na política americana e nas páginas policiais e ao tentar ganhar likes, achando que estava bafando, se alinhou ao que tem de pior na política estadunidense.
Ballard é idolatrado por grupos como o QAnon, que disseminam a falsa ideia de uma elite global pedófila e anticristã — a mesma narrativa importada e adaptada pelo bolsonarismo para atacar adversários políticos e criar pânico moral entre religiosos. Rayssa, ao ecoar essas teorias e se alinhar a seus protagonistas, abandona qualquer neutralidade e assume seu lugar no front da política extremista.
? Uma cruzada hipócrita
Rayssa diz defender “as crianças e a família”, mas se cala diante das vítimas reais de Ballard. Sua prioridade não é a verdade, nem a justiça — é alimentar o ressentimento e o medo como ferramentas de poder. Sua aliança com um homem acusado de abusar justamente daquilo que dizia proteger mostra a falência moral desse campo político.
O bolsonarismo radical encontrou em Rayssa mais uma porta-voz — e ela, voluntariamente, vestiu a armadura da extrema-direita.